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É De Casa
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Em 2017, já foram registrados no Paraná, de acordo com os dados da Secretaria de Estado da Saúde, 924 acidentes com escorpiões. Em todo o ano de 2016, foram 1.738 casos. Ao todo, incluindo os demais animais peçonhentos (escorpiões/aranhas/cobras), foram 14 mil atendimentos em 2016. Os números são altos. Neste ano, duas crianças morreram em decorrência de picadas de escorpiões amarelos. Um dos casos foi registrado em Jussara. O menino de apenas 4 anos foi picado em casa. Ele foi socorrido e encaminhado a um hospital de Maringá, mas morreu pouco depois. A segunda morte em decorrência de picada de escorpião, foi registrada no dia 15 de setembro. A criança de 5 anos, moradora de Cianorte, foi picada no tapete da sala da casa que morava.

O escorpião marrom é o principal responsável por acidentes em São Paulo, no Paraná e, também, em Pato Branco. A maioria dos escorpiões, podem viver de 2 a 6 anos, tanto em lugares desertos quanto nas matas. Nos centros urbanos, vivem, principalmente, debaixo de pedras, tijolos, telhas e nas fendas das árvores. Gostam de entulhos de obras e lixo em quintais e terrenos baldios e onde se propagam insetos, como em caixas de gordura e fossas sépticas que são ambientes propícios onde encontram alimento, principalmente baratas, mas também outros insetos como grilos, besouros e moscas. Cada mãe tem aproximadamente dois partos/ano com média de 25 filhotes cada, podendo chegar a 160 filhotes durante a vida.

São animais noturnos que se escondem durante o dia, procurando substratos mais escuros para se esconderem e confundirem com o ambiente tais como sob cascos de árvores, pedras e entulhos, dentro dos domicílios se escondem principalmente nos sapatos e em roupas que ficam pelo chão. Por isso, 70% dos acidentes ocorrem nas pontas dos dedos dos pés e das mãos.
O atributo mais notório do escorpião é seu ferrão venenoso. O veneno dos escorpiões é neurotóxico. Sua ação é muito rápida e forte. A dor é intensa se irradiando por todo o corpo da vítima. Agindo especialmente sobre o sistema nervoso, podendo causar a morte por insuficiência cardiopulmonar. O soro antiescorpiônico é o único remédio eficaz contra as ferroadas dos escorpiões. Todas as espécies de escorpião são venenosas, mas o escorpião marrom é um dos mais venenosos. Os riscos são maiores para idosos e crianças pequenas.


Porque a infestação de escorpiões preocupa?
No Brasil houve um aumento de quase 600% no número de acidentes e mortes causados por esses animais nos últimos 15 anos. Esse aumento é o resultado da expansão urbana sobre áreas antes ocupadas por matas, o acúmulo de lixo e entulho, a diminuição dos predadores naturais e a grande capacidade desses animais se adaptarem ao ambiente. Segundo dados do Ministério da Saúde, os escorpiões provocaram a maior parte dos acidentes com animais peçonhentos no país, em 2015 foram 74.598 casos registrados, e causaram 119 mortes. Recentemente dois casos, a morte de uma menina de 5 anos em Cianorte e de um menino de 4 anos em Maringá comoveram a sociedade paranaense.
Dever do Poder Público e da comunidade.

Veja tóplicos do  “Manual de Controle de Escorpiões” do Ministério da Saúde 

Antes de mais nada, o poder público precisa fazer sua parte, identificar as áreas infestadas, fazer inspeções em residências, obras e terrenos baldios, notificar proprietários e promover campanhas públicas junto à população para esclarecimento e combate.
Diz o artigo 3º da Portaria 1.172/ 2004 do Ministério da Saúde que “compete ao município o registro, a captura, a apreensão e a eliminação de animais que representem risco à saúde do homem, cabendo ao estado a supervisão, acompanhamento e orientação dessas ações”.


Por outro lado, a comunidade como um todo tem um papel fundamental na prevenção aos acidentes e controle dos escorpiões. Assim como no combate ao mosquito Aedes, transmissor do vírus da dengue, é um dever de todos.
As medidas de controle e manejo populacional de escorpiões baseiam-se na retirada e coleta dos escorpiões e a modificação das condições do ambiente a fim de torná-lo desfavorável à ocorrência, permanência e proliferação destes animais.


Na área externa aos domicílios
• Manter limpos quintais e jardins, não acumular folhas secas e lixo domiciliar;
• Acondicionar lixo domiciliar em sacos plásticos ou outros recipientes apropriados e fechados, e entregá-los para o serviço de coleta. Não jogar lixo em terrenos baldios;
• Limpar terrenos baldios situados a cerca de dois metros das redondezas dos imóveis;
• Eliminar baratas, aranhas, grilos e outros pequenos animais invertebrados;
• Evitar a formação de ambientes favoráveis ao abrigo de escorpiões, como obras de construção civil e terraplenagens que possam deixar entulho, superfícies sem revestimento, umidade, etc;
• Remover periodicamente materiais de construção e lenha armazenados, evitando o acúmulo exagerado;
• Preservar os inimigos naturais dos escorpiões, especialmente aves de hábitos noturnos como as corujas, pequenos macacos, quatis, lagartos, sapos, gansos e serpentes não venenosas (galinhas não são eficazes agentes controladores de escorpiões);
• Evitar queimadas em terrenos baldios, pois desalojam os escorpiões;
• Remover folhagens, arbustos e trepadeiras junto às paredes externas e muros;
• Manter fossas sépticas bem vedadas, para evitar a passagem de baratas e escorpiões;
• Rebocar paredes externas e muros para que não apresentem vãos ou frestas.
Na área interna
• Rebocar paredes para que não apresentem vãos ou frestas;
• Vedar soleiras de portas com rolos de areia ou rodos de borracha;
• Reparar rodapés soltos e colocar telas nas janelas;
• Telar as aberturas dos ralos, pias ou tanques;
• Telar aberturas de ventilação de porões e manter assoalhos calafetados;
• Manter todos os pontos de energia e telefone devidamente vedados.

Observação: em áreas rurais, a preparação do solo para plantio pode promover o desalojamento de escorpiões de seu habitat natural (barranco, cupinzeiros, troncos de árvores abandonadas por longos períodos). Com informações Bem Paraná.

 
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